(in Diário de Notícias, 30 de Setembro de 2012)
domingo, 30 de setembro de 2012
# 112
«Crianças do 1º ciclo "trabalham" mais do que os adultos»
Muitas crianças portuguesas entre os seis e os dez anos trabalham como
alunas tanto ou mais do que os adultos, com oito horas diárias na escola a que
muitas vezes acrescem trabalhos de casa "repetitivos e inúteis".
(in Diário de Notícias, 30 de Setembro de 2012)
(in Diário de Notícias, 30 de Setembro de 2012)
terça-feira, 25 de setembro de 2012
# 111
Quando Adriana Xavier perguntou "Porque é que vocês estão aqui?", o polícia respondeu: "É o meu trabalho" (trabalho morto # 107).
Quando agora a revista VIP pergunta à Adriana o que gostaria que esse momento "trouxesse à sua vida" a resposta é exemplar: "gostava que me desse uma oportunidade profissional".
Será que há vagas no corpo de intervenção?
Quando agora a revista VIP pergunta à Adriana o que gostaria que esse momento "trouxesse à sua vida" a resposta é exemplar: "gostava que me desse uma oportunidade profissional".
Será que há vagas no corpo de intervenção?
sábado, 22 de setembro de 2012
# 110
"Benetton quer encontrar 'Desempregado do Ano'".
(in Público, 18 de Setembro de 2012)
"Marca italiana desafia jovens desempregados de todo o mundo, entre os 18 e os 30 anos, a relatarem o seu “currículo do desemprego”. Os 100 projectos mais votados serão financiados com 5 mil euros".
(in Público, 18 de Setembro de 2012)
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
# 107
«A certa altura, fixou-se num agente em particular. “Já tinha sido lançada uma bomba de fumo”, diz. “Já tinha olhado para ele, quando ele ainda não tinha a viseira. Tinha um olhar triste. Mas tinha um olhar aberto também. Sou muito sensível nestas coisas”, conta a aluna de Artes Visuais. “Fui ter com ele e perguntei-lhe: ‘Por que é que vocês estão aqui? Para provocar alguma reacção má?’ Ele disse: ‘É o meu trabalho.’»
(in "Não fui a primeira pessoa a abraçar um polícia", Público, 17.09.2012)
(in "Não fui a primeira pessoa a abraçar um polícia", Público, 17.09.2012)
domingo, 16 de setembro de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
# 105
"O Verão para mim significa muito trabalho (...) Este ano consegui tirar alguns dias de férias mas o trabalho é a minha verdadeira paixão neste momento. Dedico-me sempre a 100% e só quero ver trabalho à frente".
(Mia Rose, in Correio da Manhã, 30 de Julho 2012)
quinta-feira, 5 de julho de 2012
# 104
Uma aporia exemplar
«As mulheres mineiras lutam para conservar o seu trabalho e a sua forma de vida, apesar de reconhecerem que "a mina não é trabalho nem para mulheres nem para homens; não é trabalho para pessoas". Mas em algumas zonas é o único que há. Ou que havia»
(in La mina no tiene sexo, interviu.es, 2 de Julho de 2012)
«As mulheres mineiras lutam para conservar o seu trabalho e a sua forma de vida, apesar de reconhecerem que "a mina não é trabalho nem para mulheres nem para homens; não é trabalho para pessoas". Mas em algumas zonas é o único que há. Ou que havia»
(in La mina no tiene sexo, interviu.es, 2 de Julho de 2012)
quinta-feira, 14 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
# 102
Desde o início do ano que Rajoy vinha dizendo que os "governantes têm de trabalhar duro e bem para resolver os problemas" e fazê-lo "até ao último minuto". Naturalmente que se diz agora que foi "o trabalho do governo nos últimos cinco meses que evitou o resgate do país". "Pois, claro que foi!"
(O jogo ainda agora começou...)
(O jogo ainda agora começou...)
sábado, 9 de junho de 2012
# 101
(Maria João Correia, presidente da Junta de Freguesia do Socorro, in Jornal de Notícias, 9 de Junho de 2012).
Como resultado de um “trabalho revolucionário”, o bairro da Mouraria em Lisboa é este fim-de-semana uma “aldeia de Potemkin”. Grigory Potemkin foi um ministro Russo da segunda metade do século XVIII, líder da campanha militar da Crimeia, que, segundo a lenda, mandou erguer aí diversas aldeias falsas através da construção de fachadas de edifícios ocos, a propósito da visita da Imperatriz Catarina II e restantes ministros em 1787, de modo a iludi-los quanto à riqueza das suas conquistas. Com esse estratagema, cuja veracidade ou dimensão é ainda hoje sujeita a debate, Potemkin inaugurou a lista dos políticos pantomineiros modernos e estabeleceu um expediente daí em diante comum na sociedade do espectáculo.
Após um ano de “trabalhos” de reabilitação urbana de substância mais ou menos discutível a que os Potemkins de serviço chamam de “enorme revolução”, o bairro da Mouraria foi na última semana palco de uma expedita, gigantesca e madrugadora operação de maquilhagem urbana. Assim, vários edifícios em ruínas ou em risco de derrocada foram pintados de fresco, limpos todos os grafites e pintadas todas as portadas, enquanto nos edifícios abandonados e emparedados, alguns deles de propriedade pública, foram disfarçadas as paredes de tijolos que há anos preenchem os vãos; tudo isto visando preparar a visita do presidente da república e sua comitiva este fim-de-semana, que aí se desloca para ser visto na televisão. Mas, ao contrário do evento organizado por Potemkin, tudo isto é também um cenário de amplo conhecimento público; o que faz do espectáculo de hoje uma farsa com papéis para todos.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
# 100
"Portugueses querem imigrantes desde que exista trabalho", in Público 25 de Maio de 2012.
«Tal como os indivíduos apenas são "livres" e "autónomos" na medida em que tomam as suas decisões no âmbito da forma capitalista, mantendo-se compatíveis com a "necessidade" da cega valorização do valor e as respectivas leis pseudo-naturais, eles apenas são "iguais" na medida em que se encontrem igualmente submetidos à forma do valor, sendo sujeitos da sua realização. O "ser humano enquanto tal" é o Homem meramente abstracto; o Homem, na medida em que pode ser sujeito do valor. É apenas a isso que se reporta o seu "reconhecimento" enquanto Homem, e é apenas neste sentido que ele pode possuir "direitos do Homem" universais e ser um sujeito jurídico no âmbito de estruturas estatais. Daí decorre que no exterior disso, ou seja, fora do implacavelmente limitativo universo da forma do valor, ele deixa de ter qualquer semelhança com um ser humano, vendo-se reduzido ao patamar dos animais ou da vil matéria. A capacidade legal geral e, por extensão, também a referente aos direitos humanos, encontra-se assim vinculada à capacidade de valorização, de trabalho, de venda, de financiamento ou, por uma palavra: à "rentabilidade" da existência que, para qualquer outro efeito, é declarada "objectivamente" nula» in Kurz, Robert (2003); Ontologia Negativa. As eminências pardas do Iluminismo e a metafísica histórica da Modernidade.
sábado, 19 de maio de 2012
# 99
"O último português com emprego" (Crónica matinal de Ricardo Araújo Pereira na Rádio Comercial; ouvir).Ironizando com a afirmação de Passos Coelho de que estar desempregado pode ser uma "oportunidade para mudar de vida", Ricardo Araújo Pereira faz uma antevisão do mercado de trabalho em Portugal em Maio de 2013, quando resta apenas um indivíduo empregado. Nesse processo, Ricardo coloca-se numa aporia insolúvel: por um lado, tem de desmentir satiricamente Passos Coelho, o que também significa que o emprego tem de ser apresentado de forma positiva; por outro, a caricatura do último português empregado não pode deixar de ser também a caricatura da vida miserável de todos os empregados e do mal-estar que secretamente todos sentem. Por isso também é dito: "Toda a gente que eu conheço já conseguiu desempregar-se e eu continuo a ir para o trabalho todas as manhãs armado em parvo". A ambiguidade atravessa assim toda a crónica, hesitando entre o elogio implícito ao "trabalho abstracto" e o seu reconhecimento como algo desprezível e sem sentido. Como não ver na irónica definição de emprego dada essa mesma ambiguidade: "Ora bem como é que eu hei-de explicar: isto consiste em trabalhar, ou seja, desenvolver... vamos lá... labuta a troco de uma determinada verba". Se o desemprego não é uma "oportunidade para mudar de vida", o emprego também não o é.
terça-feira, 15 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
# 97
“Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade” (Pedro Passos Coelho, in Público, 11/05/2012)
No quadro da sociedade do trabalho não há “livre escolha” senão dentro da “jaula de ferro” da valorização do capital, que se mantém como pressuposto a priori de toda a reprodução social. Por isso mesmo, Passos Coelho acrescenta que a "livre escolha" consiste afinal em escolher entre o mau e o pior: “no meio da crise em que estamos, claro que é preferível ter trabalho, mesmo precário, do que não ter, claro que é preferível trabalhar mais do que não trabalhar, vender mais barato do que não vender”, mas “o modelo para o futuro tem de ser o de acrescentar valor”.
Entretanto, a indignação moralista da esquerda em torno da inverdade da afirmação de Passos Coelho silenciou a possibilidade de um desvio radical promissor: a crise de desemprego estrutural como "oportunidade para mudar de vida" e de irmos verdadeiramente para lá da sociedade do trabalho.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
# 96
“Homem coloca a sua cara num "outdoor" e arranja emprego” (in Diário de Notícias, 11 de Maio de 2012).
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
# 94
"Não vivo na fantasia de que tudo é bonito e o meu objetivo é trabalhar sempre mais e mais. Quero é continuar a sentir que estou no bom caminho" (David Carreira in Caras, aqui).
A capacidade de síntese de Carreira faz inveja a muitos filósofos: o mundo da mercadoria pode ser péssimo mas eu continuarei a ver no trabalho um objectivo em si próprio; não interessa estar no bom caminho, o que interessa é apenas sentir que se está no bom caminho.
A capacidade de síntese de Carreira faz inveja a muitos filósofos: o mundo da mercadoria pode ser péssimo mas eu continuarei a ver no trabalho um objectivo em si próprio; não interessa estar no bom caminho, o que interessa é apenas sentir que se está no bom caminho.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
# 93
"A profissão mais difícil do mundo é a melhor profissão do mundo" (video). É este o lema da campanha "Obrigado Mãe" que arrancou hoje, elaborada para os Jogos Olímpicos 2012 pela Procter & Gamble, um conglomerado de empresas de mercadorias de limpeza e higiene pessoal. Assim, é-nos dito que "a P&G esteve sempre presente no negócio de ajudar as mães. Os produtos das nossas marcas ajudam a tornar a vida das mães, em todo o mundo, um pouco melhor todos os dias. É por isso que decidimos não só patrocinar os atletas olímpicos, mas também as pessoas que tornaram possível a sua presença nesta competição... as suas mães. E não falamos somente das mães dos atletas olímpicos, celebramos também o que cada mãe faz para ajudar o seu filho a ter sucesso - todas as mães, em todo o mundo".
Este pensamento miserável pode ser desenvolvido:
"Ser mãe é uma profissão difícil, sobretudo quando as mães se desdobram entre dois e três empregos. Além disso, é uma profissão que infelizmente ainda não é paga; ser mãe pertence assim ao grupo dos trabalhos precários, mas nada que uma continua luta política não resolva. Mostrar que o trabalho de mãe cria valor é portanto um desafio político de máxima urgência, e há muitas feministas que já mostraram isso mesmo. É certo que o nosso patrão macho não nos tem apoiado muitas vezes nesta luta que dura há séculos, mas há cada vez mais homens dispostos a lutar ao nosso lado pela reivindicação de um salário de mãe. Até porque isto de criar sujeitos concorrenciais para a competição olímpica no mercado universal por um posto de trabalho não pode ser tarefa exclusiva das mães. Felizmente que há empresas como a P&G, que disponibilizam não só detergentes a baixo preço, que nos ajudam na lida da casa, como fantásticos cremes e shampoos que nos mantém desejáveis durante muito mais tempo e nos possibilitam trazer ao mundo ainda mais sujeitos concorrenciais".
Este pensamento miserável pode ser desenvolvido:
"Ser mãe é uma profissão difícil, sobretudo quando as mães se desdobram entre dois e três empregos. Além disso, é uma profissão que infelizmente ainda não é paga; ser mãe pertence assim ao grupo dos trabalhos precários, mas nada que uma continua luta política não resolva. Mostrar que o trabalho de mãe cria valor é portanto um desafio político de máxima urgência, e há muitas feministas que já mostraram isso mesmo. É certo que o nosso patrão macho não nos tem apoiado muitas vezes nesta luta que dura há séculos, mas há cada vez mais homens dispostos a lutar ao nosso lado pela reivindicação de um salário de mãe. Até porque isto de criar sujeitos concorrenciais para a competição olímpica no mercado universal por um posto de trabalho não pode ser tarefa exclusiva das mães. Felizmente que há empresas como a P&G, que disponibilizam não só detergentes a baixo preço, que nos ajudam na lida da casa, como fantásticos cremes e shampoos que nos mantém desejáveis durante muito mais tempo e nos possibilitam trazer ao mundo ainda mais sujeitos concorrenciais".
sexta-feira, 4 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
# 91
"A palavra trabalho designa toda a actividade realizada pelo homem, tanto manual como intelectual, independentemente das suas características e circunstâncias. No meio de toda a riqueza de actividades para as quais o homem tem capacidade e está predisposto pela própria natureza, em virtude da sua humanidade, qualquer actividade humana pode e deve reconhecer-se como trabalho".
(Papa João Paulo II. 1981. "Laborem Exercens. O trabalho humano", Carta Encíclica; Braga: Editorial A.O., p.7)
(Papa João Paulo II. 1981. "Laborem Exercens. O trabalho humano", Carta Encíclica; Braga: Editorial A.O., p.7)
quarta-feira, 25 de abril de 2012
# 90
"Celebrar o 25 de Abril é celebrar o trabalho".
(Luís Caetano na emissão de hoje do Diário Câmara Clara, a propósito da exposição "O Trabalho: valor, dignificação e criatividade" organizada pela Câmara Municipal de Almada).
(Luís Caetano na emissão de hoje do Diário Câmara Clara, a propósito da exposição "O Trabalho: valor, dignificação e criatividade" organizada pela Câmara Municipal de Almada).
terça-feira, 3 de abril de 2012
# 89
“A Conferência Episcopal Espanhola tem uma nova campanha para captar seminaristas, promovendo o sacerdócio como um "trabalho fixo" que não promete "um bom ordenado" mas garante "riqueza eterna"” (...) "Somos a única classe social que não tem desemprego. No ministério sacerdotal não há desemprego, temos muito trabalho e a paga está no Evangelho e depois na vida eterna", disse o bispo Juan José Asenjo ao jornal espanhol ABC” (in Diário de Notícias, 3 de Abril de 2012; vídeo aqui).
sábado, 10 de março de 2012
# 88
Jovens oferecem sexo em troca do pagamento da faculdade. "Seeking Arrangement" é um site americano que permite aos utilizadores ganharem dinheiro em troca de sexo. Vários estudantes viram nele a possibilidade de pagar os cursos superiores e estão a ter sucesso com esta troca (in Visão, 9 de Março de 2012).
“A esfera da circulação ou do intercâmbio de mercadorias, dentro de cujos limites se movimentam compra e venda de força de trabalho, era de fato um verdadeiro éden dos direitos naturais do homem. O que aqui reina é unicamente Liberdade, Igualdade, Propriedade e Bentham. Liberdade! Pois comprador e vendedor de uma mercadoria, por exemplo, da força de trabalho, são determinados apenas por sua livre-vontade. Contratam como pessoas livres, juridicamente iguais. O contrato é o resultado final, no qual suas vontades se dão uma expressão jurídica em comum. Igualdade! Pois eles se relacionam um com o outro apenas como possuidores de mercadorias e trocam equivalente por equivalente. Propriedade! Pois cada um dispõe apenas sobre o seu. Bentham! Pois cada um dos dois só cuida de si mesmo. O único poder que os junta e leva a um relacionamento é o proveito próprio, a vantagem particular, os seus interesses privados. E justamente porque cada um só cuida de si e nenhum do outro, realizam todos, em decorrência de uma harmonia preestabelecida das coisas ou sob os auspícios de uma previdência toda esperta, tão-somente a obra de sua vantagem mútua, do bem comum, do interesse geral”.
(Marx, Karl. 1996b [1867]. O Capital. Crítica da Economia Política, Vol. 1, Livro Primeiro. O Processo de Produção do Capital, Tomo 1. São Paulo: Editora Nova Cultural, p. 293)
sexta-feira, 9 de março de 2012
# 87
"O que hoje dá o tom é o modelo mediático da "mulher que quer tudo", que concilia carreira e família, e ainda se embeleza diariamente, para arrancar suspiros como "objeto do desejo". Mas para a maioria isso é exigir muito, algo de todo inviável. A percentagem de mulheres que consegue tal espargata com pompa e circunstância é ínfima. Só uma reduzida minoria de "mulheres de carreira" pode dar-se ao luxo de uma tal ilusão, delegando o fardo da administração do lar, dos cuidados com os filhos etc. a empregadas domésticas (migrantes, negras, desprivilegiadas) que, por sua vez, deixam de ter tempo para seus próprios filhos. A grande maioria das mulheres está absurdamente sobrecarregada com a tarefa de responder, ao mesmo tempo, pelo dinheiro, pelas atividades domésticas e pelo "amor". Na pós-modernidade o patriarcado não desaparece, mas "se embrutece" e se estilhaça em formas múltiplas de barbárie, como escreve a feminista alemã Roswitha Scholz"
terça-feira, 6 de março de 2012
# 86
Os desempregados são trabalhadores ou seres humanos não rentáveis?
«Quem diz capacidade de trabalho não diz trabalho, como quem diz capacidade de digestão tampouco diz digestão. Para esse último processo é reconhecidamente necessário mais do que um bom estômago. Quem diz capacidade de trabalho não abstrai dos meios necessários à sua subsistência. O valor deles é antes expresso no valor dela. Se não é vendida, de nada serve ao trabalhador, ele então a percebe muito mais como uma cruel necessidade natural que a sua capacidade de trabalho tenha exigido determinado quantum de meios de subsistência para sua produção e constantemente exige de novo para a sua reprodução. Ele descobre, então, com Sismondi: “A capacidade de trabalho (...) nada é se não é vendida”».
(Marx, Karl. 1996b [1867]. O Capital. Crítica da Economia Política, Vol. 1, Livro Primeiro. O Processo de Produção do Capital, Tomo 1. São Paulo: Editora Nova Cultural, p. 291)
# 85
Entre o "trabalho abstracto" e a "riqueza abstracta" ou as ambiguidades da ética do trabalho no capitalismo-casino:
"Filho, se queres realmente alguma coisa nesta vida, tens de trabalhar para isso. Agora silêncio! Vão anunciar os números da lotaria!"
(Homer Simpson, episódio 1 da temporada 4, 1992)
quinta-feira, 1 de março de 2012
# 84
"Ouça isto enquanto trabalha".
(Post do Facebook da ONG Free the Slaves a propósito de uma entrevista radiofónica sobre a escravatura contemporânea; aqui).
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
# 83
O trabalho abstracto: inegável pressuposto supra e transpartidário.
(Folheto "Queremos trabalhar" do Partido Nacional Renovador)
(Folheto "Queremos trabalhar" do Partido Nacional Renovador)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
# 80
"O que temos necessidade é de um governo que dê trabalho à gente e não se preocupe". "A mulher deve poder ficar em casa (...) de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos".
(Cardeal Manuel Monteiro de Castro em declarações aos Jornal de Notícias e ao Correio da Manhã, 17 de Fevereiro de 2012)
(Cardeal Manuel Monteiro de Castro em declarações aos Jornal de Notícias e ao Correio da Manhã, 17 de Fevereiro de 2012)
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
# 79
"Temos de deixar de brincar e começar a trabalhar".
(Nuno Carvalho, "empreendedor" e opinante do Jornal de Negócios, 16 de Fevereiro de 2012).
(Nuno Carvalho, "empreendedor" e opinante do Jornal de Negócios, 16 de Fevereiro de 2012).
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
# 77
"Os meus valores para a França": "Trabalho, responsabilidade, autoridade, reconheço-me mais do que nunca neste tríptico". "Depois de cinco anos de mandato, estou mais convecido do que nunca que é necessário recompensar o trabalho e reforçar a consideração que lhe atribuimos (...) O trabalho é um valor em si próprio, necessário tanto à realização do indivíduo como para a coesão da sociedade".
Entretanto, o presidente quer que os franceses decidam se os desempregados que recebem auxílio do Estado têm direito a recusar-se a fazer uma formação ou a aceitar um emprego proposto pela agência governamental de inserção no mercado de trabalho (aqui).
Entretanto, o presidente quer que os franceses decidam se os desempregados que recebem auxílio do Estado têm direito a recusar-se a fazer uma formação ou a aceitar um emprego proposto pela agência governamental de inserção no mercado de trabalho (aqui).
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
# 76
Uma enfermeira australiana que durante vários anos trabalhou numa unidade de cuidados paliativos para doentes terminais, compilou as cinco coisas que as pessoas à beira do fim mais se arrependem de não ter feito. Em segundo lugar vem: “Quem me dera não ter trabalhado tanto”.“Este arrependimento veio de todos os doentes masculinos que tive. Sentiam falta da infância dos seus filhos e a companhia da sua parceira. As mulheres também referiam este arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais velha, muitas das doentes femininas não haviam sido sustento monetário da família. Todos os homens que tratei arrependiam-se profundamente de terem passado grande parte da sua vida nos meandros do trabalho” (Guardian, 1 de Fevereiro de 2012, aqui)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
# 74
“Se os nossos amigos gregos fizerem o seu trabalho, temos de apoiá-los” (Durão Barroso, 27 de Janeiro de 2012; aqui).
E se não o fizerem? A própria estranha classificação dos gregos como "amigos" dá-nos a resposta. Aqui, o nazi Carl Schmitt dá uma ajuda: “A diferença política específica a que se podem reconduzir as acções e motivações políticas é a diferença entre amigo e inimigo” (Carl Schmitt, in O conceito do político, 1932).
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
# 73
"O mundo enfrenta o desafio de criar 600 milhões de postos de trabalho na próxima década (...) o que ainda deixaria 900 milhões de trabalhadores a viver com as suas famílias abaixo da linha da pobreza dos $2 dollars por dia"
(in "Global Employment Trends 2012. Preventing a deeper job crisis", Relatório Anual da Organização Internacional do Trabalho; aqui)
(in "Global Employment Trends 2012. Preventing a deeper job crisis", Relatório Anual da Organização Internacional do Trabalho; aqui)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
# 72
“Este auto-denominado ‘apagão’ [contra o Stop Online Piracy Act] é apenas mais um estratagema perigoso, planeado para castigar responsáveis eleitos que estão a trabalhar diligentemente com vista à protecção dos postos de trabalho americanos de ataques de criminosos estrangeiros”.
(Chris Dodd, ex-senador americano e actual CEO da Motion Picture Association of América, Inc., no comunicado oficial desta associação, 17/01/2012; aqui).
(Chris Dodd, ex-senador americano e actual CEO da Motion Picture Association of América, Inc., no comunicado oficial desta associação, 17/01/2012; aqui).
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
# 69
"Paulo Futre vai dar emprego ao país"
"O novo programa de televisão de Paulo Futre é tudo menos previsível (...) O formato é muito simples: Futre irá fornecer um endereço de e-mail para onde os telespectadores desempregados deverão enviar os seus currículos profissionais. O ex-jogador de futebol e a sua equipa irão então analisar os currículos e enviá-los para as empresas mais adequadas, nos sectores relacionados com a experiência profissional" (in Dinheiro Vivo, 14/01/2012).
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
# 68
"... cada homem tem uma propriedade em sua própria pessoa" (Locke, Segundo Tratado sobre o Governo Civil).
No contrato, o proprietário-metafísico que há em cada um de nós "obriga" a sua propriedade-corpo a trabalhar durante um tempo determinado. O trabalho abstracto é uma obrigação para consigo mesmo.
In Código do Trabalho.
No contrato, o proprietário-metafísico que há em cada um de nós "obriga" a sua propriedade-corpo a trabalhar durante um tempo determinado. O trabalho abstracto é uma obrigação para consigo mesmo.
In Código do Trabalho.
# 67
Espírito de síntese:
"A Cidade como ponto de encontro,
dínamo das nossas vidas.
O Trabalho como grandeza de força
capaz de fazer mudar o mundo.
A Cidade Trabalho como solução
conciliadora de interesses, de
rentabilização de tempos e esforços,
sempre concentrada na procura
de um futuro melhor."
"A Cidade como ponto de encontro,
dínamo das nossas vidas.
O Trabalho como grandeza de força
capaz de fazer mudar o mundo.
A Cidade Trabalho como solução
conciliadora de interesses, de
rentabilização de tempos e esforços,
sempre concentrada na procura
de um futuro melhor."
sábado, 7 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
# 64
“Guerra é Paz!”, a primeira divisa do mundo orwelliano
“Esta é a hora em que todos os portugueses são chamados a dar o seu melhor para ajudar Portugal a vencer as dificuldades, trabalhando mais e apostando na qualidade, combatendo os desperdícios, preferindo os produtos nacionais, deixando de lado os egoísmos, a ideia do lucro fácil e desrespeito pelos outros [portugueses?]. Nenhum português está dispensado deste combate pelo futuro do seu país (...) A todos, renovo os meus votos de um ano de paz, saúde e felicidade”.
Mensagem de Ano Novo do Presidente da República, 1 de Janeiro de 2012
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